Terça, 10 Janeiro 2017 20:19

Sociedades de especialidades discutem o aumento da duração da residência médica

Sociedades de especialidades discutem o aumento da duração da residência médica

A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) aprovou em 2016 a inclusão de mais um ano no programa de residência médica de cirurgia geral. A proposta, defendida pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões, foi amplamente discutida nas reuniões da CNRM e no momento aguarda a aprovação da resolução final. O ano adicional pode ser incluído de forma opcional para os programas que desejarem neste ano, tornando-se obrigatório em 2018.

A discussão pela ampliação da residência em cirurgia geral já é antiga, porém nos últimos anos outras especialidades também optaram pelo aumento da carga horária. Um exemplo é o programa de pediatria que, embora ainda não seja obrigatório, já está em teste piloto com diversos hospitais participantes. A Sociedade Brasileira de Pediatria foi quem demonstrou interesse em aumentar em um ano a residência médica. A expectativa é que em 2019 todas as instituições ampliem o programa de pediatria para 3 anos.

Outra especialidade pleiteando o aumento na carga horária é a neurologia, a proposta pelo aumento de 3 para 4 anos de duração foi encaminhada pela Sociedade Brasileira de Neurologia no ano passado, mas ainda aguarda as próximas reniões para discutir a proposta.

A aprovação do ano adicional do programa de pediatria e o de cirurgia geral estimulou outras especialidades a rever o currículo da residência médica e sugerir o aumento na sua duração. Em 2017 está previsto um fórum para discutir e rever a residência médica no brasil, desde o conteúdo programático até a duração dos programas de residência.

Falta de dinheiro

A preocupação é se haverá dinheiro suficiente para bancar as bolsas para os residentes de pediatria, cirurgia geral e outras especialidades que busquem o aumento da carga horária. O Brasil possui mais de 250 instituições com residência médica de pediatria, de cirurgia geral são mais de 300 instituições em todo o território nacional. Com a recente crise financeira e o anúncio pelo Ministério da Educação de que não haverá novas vagas para a residência médica em 2017 fica difícil imaginar que haverá investimento disponível para cobrir todas as despesas e bolsas de residência. Por outro lado muitas instituções não utilizam todas as bolsas de residência a que tem direito, deixando muitas vagas de fora.

Programas com pré-requisito

No caso da cirurgia geral outra preocupação é com os programas que dependem desta área básica. Com o adicional de um ano o programa poderia incluir parte dos programas de especialidades com pré-requisito em cirurgia geral. Além disso, os programas de ano adicional em cirurgia geral e cirurgia geral avançado já presente em algumas instituições podem ser extintos. É necessário um consenso entre as espeicalidades com pré-requisito e a área básica.

Ainda cabe muita discussão de como realizar esta transição, o que pode adiar a implantação final. As discussões do programa de pediatria junto a CNRM já se arrastam há 10 anos. A expectativa da Associação Médica Brasileira (AMB) é que as áreas básicas de Cirurgia Geral, Clínica Médica e Pediatria sigam os passos da Ginecologia e Obstetrícia e passem todas a ter 3 anos de duração.